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A Semente


Em algum momento da vida, muitas de nós deixamos de nos apresentar pelo nome.

Passamos a nos apresentar pelos papéis que exercemos.

Sou mãe.

Sou empresária.

Sou esposa.

Sou divorciada.

Sou responsável por tudo.

Sou aquela que resolve.

Sou aquela que cuida.

E, sem perceber, aquilo que fazemos começa a ocupar o espaço de quem somos.

Talvez isso aconteça porque a vida adulta exige muito de nós.

Entre compromissos, responsabilidades, contas para pagar, filhos para criar, relacionamentos para cultivar e sonhos para perseguir, é fácil acreditar que nossa identidade está ligada àquilo que produzimos.

Mas existe uma pergunta que, mais cedo ou mais tarde, encontra todas nós:

Quem sou eu quando os papéis silenciam?

Foi essa pergunta que começou a transformar a minha vida.

Quando os papéis se tornam identidade

Durante muito tempo, eu também procurei respostas nos lugares errados.

Busquei em conquistas.

Em reconhecimento.

Na profissão.

Na imagem.

Em relacionamentos.

Em expectativas que eu mesma havia criado.

E não há nada necessariamente errado nessas coisas.

O problema começa quando elas passam a sustentar nosso valor.

Tudo aquilo que pode ser perdido jamais deveria ser o fundamento da nossa identidade.

A carreira muda.

Os filhos crescem.

Os relacionamentos se transformam.

Os ciclos terminam.

A aparência muda.

A vida muda.

E quando construímos nossa identidade apenas sobre essas estruturas, qualquer mudança parece um terremoto.

Nem sempre percebemos quando deixamos de viver a partir da identidade e passamos a viver a partir das expectativas.

O que acontece quando esquecemos quem somos

Existem fases da vida em que nos sentimos perdidas sem conseguir explicar exatamente o motivo.

Por fora, tudo parece seguir funcionando.

A rotina acontece.

Os compromissos são cumpridos.

As responsabilidades continuam sendo assumidas.

Mas por dentro existe um vazio difícil de nomear.

Uma sensação de desencontro.

Como se estivéssemos vivendo uma vida inteira sem conseguir encontrar a nós mesmas dentro dela.

Tenho aprendido que, muitas vezes, isso acontece porque passamos tanto tempo cuidando dos frutos que nos esquecemos daquilo que vem antes deles.

Tentamos mudar comportamentos.

Organizar a rotina.

Melhorar resultados.

Corrigir hábitos.

Mas existe um trabalho mais profundo que precisa acontecer primeiro.

Uma árvore não começa pelos frutos.

Nem pelas folhas.

Nem pelos galhos.

Tudo começa em uma semente.



E aquilo que ninguém vê é justamente onde a vida começa.

Dentro dela já existe uma identidade.

Talvez seja por isso que esse tema tenha falado tanto ao meu coração nos últimos meses.

Porque tenho percebido que passamos boa parte da vida olhando para os frutos, enquanto aquilo que realmente sustenta a transformação acontece longe dos olhos.

A semente cria raízes. As raízes sustentam a árvore. E, no tempo certo, os frutos aparecem.

Jeremias 17:8 nos ensina que uma vida saudável possui fundamentos profundos:

"Ele será como uma árvore plantada junto às águas e que estende as suas raízes para o ribeiro. Ela não temerá quando chegar o calor, porque as suas folhas estão sempre verdes; não ficará ansiosa no ano da seca nem deixará de dar fruto."

O texto não diz que o calor não virá.

Não diz que não haverá seca.

Não promete uma vida sem desafios.

Ele apenas mostra que existe uma forma diferente de atravessar essas estações.

A diferença está na raiz.

O lugar onde a minha reconstrução começou

Nos últimos anos tenho vivido um processo profundo de transformação.

Não uma transformação instantânea.

Nem perfeita.

Muito menos confortável.

Pelo contrário.

Mas foi nesse caminho que comecei a entender algo que mudou minha perspectiva.

A identidade não é algo que construímos ao longo da vida.

Ela é reflexo d´Aquele que nos criou.

Por isso, quanto mais me aproximo de Deus, mais clareza encontro sobre quem sou.

Existe algo que permanece e impacta tudo aquilo que fazemos.

Existe uma filha.

E foi nesse lugar que a minha reconstrução começou.

Não quando encontrei todas as respostas.

Mas quando compreendi que meu valor não precisava ser conquistado nem validado.

Porque antes de tudo aquilo que fazemos, existe quem somos em Deus.

Somos filhas amadas.

Uma reflexão para levar com você

Talvez você esteja vivendo uma estação de recomeço.

Talvez esteja cansada de tentar sustentar expectativas.

Talvez esteja buscando clareza para decisões importantes.

Ou talvez apenas tenha a sensação de que existe algo dentro de você pedindo para ser reencontrado.

Seja qual for o seu momento, quero que este espaço seja um convite.

Um convite para desacelerar.

Para olhar além dos papéis.

Para fortalecer raízes.

Para construir uma vida alinhada com aquilo que realmente importa.

Porque acredito que toda transformação duradoura começa no mesmo lugar:

Não nos frutos. Mas naquilo que Deus plantou em nós.

Para guardar no coração

Papéis são importantes, mas não definem quem somos.
A semente cria raízes. As raízes sustentam a árvore. E os frutos aparecem no tempo certo.
Antes de tudo aquilo que fazemos, existe quem somos em Deus.
Somos filhas amadas.

Para refletir hoje

Se todos os seus títulos fossem retirados, como você se descreveria?
Em que lugar sua identidade tem criado raízes?
Os frutos que você tem produzido refletem aquilo que Deus plantou em você?

Com carinho,

Paula

 
 
 

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